Resenha | A Garota Dinamarquesa


Já começo dizendo que esse filme é um verdadeiro tapa na cara da sociedade preconceituosa que mostra exatamente o que um homem passou para se transformar em mulher, mostra como ele sempre soube quem era, de sua identidade e de seu amor. Mostra o quanto a sua vontade e o desejo de se tornar mulher era mais forte que muitas outras coisas e como o amor pode superar limites que achamos que existem. O filme foi lançado em 11 de fevereiro desse ano (2016) e infelizmente em algumas cidades o filme foi sabotado por algumas salas de cinema que não aceitaram exibi-lo e o deixaram de fora dos cartazes, mas nem por isso o filme está deixando de ser um sucesso. Já ha na internet uma versão legendada com imagem e áudio perfeitos para assistir no conforto de sua casa, mas lembrando que, se na sua cidade o filme está sendo exibido, vale a pena ir assistir no cinema. Ah, leve um lenço, ou melhor, um pacote de lenços. Não, melhor uma toalha. O filme tem 2h de duração que passarão rápido demais pra você, assim como passou pra mim.


A Garota Dinamarquesa faz você ficar tenso em diversos momentos, mostrando que estamos prontos e esperando que o pior sempre aconteça, preocupados com um relacionamento mostrado e com medo do que pode vir a acontecer em cada cena. O diretor Tom Hooper conseguiu pegar essa história e mostra-la de forma mais simplista, sem todas as complexidades que existiram na realidade, ele preferiu focar mais na parte do relacionamento de Einar Wegener, um pintor muito querido e preferido de muitas pessoas, pitava paisagens de onde vivia e fazia um sucesso inicial e Gerda Gottlieb que também pinta, mas que ainda busca o seu espaço nesse ramo pois ela pinta pessoas com traços perfeitos e para a época, não era exatamente o que as pessoas mais procuravam.

O filme se passa nos anos 30 e tudo começa com uma brincadeira de Gerda com Einar. Quando a irmã de Gerda não vai até a casa dela para posar para o quadro que ela está pintando, ela pede para que o marido use meia-calça, coloque o sapato feminino da melhor forma que conseguir (já que o número era menor que o dele) e pede para que ele segure o vestido como se estivesse usando. Neste momento vemos Einar dando início a sua explosão feminina quando ele discretamente e sem perceber começa a olhar o vestido, passar a mão suavemente pelo tecido e se apaixonar pela roupa que está segurando, ali ele percebe que algo dentro dele realmente está mudando. Einar está começando a aceitar Lili, a sua feminilidade interior. Depois disso, Einar e Gerda criam Lili, uma personagem do marido para que ela vá em uma festa com ela vestido de mulher para que não fosse reconhecido pelas pessoas. Gerda começa a treinar Lili na forma de andar de salto, de se vestir e se comportar, mas tudo isso não passava de uma brincadeira, algo que fez os dois se divertir.


Ao chegar na festa, a aparência feminina, uma beleza diferente do normal, abalou a todos e criou uma grande curiosidade, todos queriam saber quem era Lili e Gerda a apresentou como prima de Einar. Depois disso começam a ocorrer vários fatos na história que mostram que Lili está mais presente do que Einar e mostra também a proporção que tudo isso está tomando. A história está sendo vendida como se Einar/Lili fosse a principal personagem, mas na verdade tudo o que eu vi foi a visão de Gerda, de como isso abalou ela por completo e como ela se sentia perdida sem saber como ajudar o marido nessa transição que ele estava passando. Tudo o que eu vi foi uma mulher que ama demais seu marido e que o “perdeu” para Lili que dizia que Einar não existia mais. Gerda não sabia o que fazer e tinha alguns ataques que fúria e pânico, além de em alguns momentos parecer não entender o que estava acontecendo e se sentir perdida o suficiente para surtar algumas vezes.

A história foi bem construída e eu achei que para um filme, tudo se passou de forma correta e em seu tempo certo. Li algumas resenhas que as pessoas diziam que a história não foi bem passada, que a transformação de Einar para Lili não foi lenta como deveria e que foi afobada e na verdade é exatamente isso que eles quiseram mostrar, a urgência que uma pessoa transgênero precisa se sentir bem com seu corpo e com sigo mesma(o). Mesmo tendo sido algo rápido, podemos ver o sofrimento de ambas das partes, de como os dois não sabiam exatamente o que fazer até que quem se sentiu perdida foi apenas Gerda, pois Einar já havia deixado de existir e apenas Lili era dona de um corpo errado, um corpo estranho para ela, algo que jamais deveria ter acontecido.


Alicia Vikander entrega uma atuação impressionante e consegue passar muito bem a situação vivida por seu personagem. No início Gerda acha divertida a brincadeira de ver seu marido vestido de mulher. Isso acaba servindo de inspiração para seu trabalho e é quando ela finalmente consegue o reconhecimento como artista. Só que quando ela se dá conta da verdade fica totalmente assustada com a realidade e sem saber o que fazer. Teria ela sido de alguma forma a responsável pela situação? Ela consegue passar essa sensação, consegue colocar o desespero dentro de nós. Acreditem, eu to tentando me controlar para escrever essa resenha porque por mim eu escreveria um livro de tanta coisa que eu gostaria de falar sobre ele e vocês não sentem a empolgação que eu estou depois de ver esse filme, parece que o meu objetivo de vida é fazer as pessoas assistirem esse filme o mais rápido possível.

De forma alguma eu tiro o brilho do Eddie Redmayne que atuou de forma incrível e que me tocou a alma em cada frase, a cada olhar e cada movimento gravado seu enquanto se transformava em Lili. Ele soube mostrar exatamente como é uma transformação, ele é um ator que conseguiu entrar em um papel feminino mais do que qualquer outro que eu já tenha visto e isso ajudou de forma incrível para amar ainda mais o filme e me apaixonar por Lili ou Einar. Lili chega a apanhar na rua de dois caras que ficam zoando com ela perguntando se era menina ou menino, mostra exatamente o preconceito que ainda existe hoje em dia, claro que esse foi o único tipo de agressão física que mostrou no filme, mas sabemos que naquela época isso deveria ser mais difícil do que estamos habituados.


O filme foi baseado em uma historia real e acho que isso deu mais força a historia, mesmo que eu não soubesse antes de assistir, eu senti que era algo que foi vivido por alguém e foi incrível ver isso sendo reproduzido tão bem em um filme que consegue tocar a alma. A todo momento eu esperava um ataque de panico, esperava uma agressão física ou verbal, esperava os olhares tortos e a cada minuto do filme isso ia aumentando mais. Mesmo tentando descrever em palavras o que eu senti ao assistir ao filme, acho que eu não consegui. O que eu estou tentando dizer é que o filme superou minhas expectativas, fez com que eu chorasse muito e ficasse tenso em todos os momentos, é um filme para se assistir e abrir a mente caso não seja aberta e perceber que as coisas sempre podem melhorar ou piorar na vida de qualquer pessoa e tudo isso na verdade depende do ponto de vista. Acho que se você estava pensando em assistir o filme, deveria parar de pensar e correr pro abraço. Mais nada a declarar. Não esqueça de deixar seu comentário pois eu quero saber o que você achou da resenha, do blog e do filme e se caso ainda não assistiu e sentiu vontade de assistir, comenta aqui também e depois de assistir comenta de novo que eu quero acompanhar isso. 

Siga o blog e receba tudo em primeira mão. 
Me leve com você 
Compartilhe esta postagem nas redes sociais e ajude o blog.
Tecnologia do Blogger.