Resenha: A Mulher Silenciosa



Sinopse: Jodi e Todd estão juntos há 20 anos e, aparentemente, levam uma vida invejável. Todd é um empreiteiro bem-sucedido que pode bancar alguns luxos, como o enorme apartamento com uma vista deslumbrante para o lago, um Porsche (dele) e um Audi (dela) na garagem, e o estilo de vida de Jodi. Psicoterapeuta, ela atende em casa apenas dois clientes por dia, e tem tempo de sobra para as sessões de pilates, as aulas de arranjos florais, os passeios com Freud, o golden retriever do casal, e o preparo das refeições gourmet de que tanto gosta. Jodi ainda fica ansiosa ao ouvir a chave do marido abrindo a porta. Todd diz que nunca encontrará uma mulher igual a ela. Essa fachada perfeita, porém, está prestes a ruir. Todd é um adúltero incurável, e Jodi sabe disso. Ela é a esposa silenciosa, preparada para tolerar as traições do marido com o intuito de manter as aparências. Até que Todd sai de casa - para viver com uma mulher com metade da idade dela, filha de seu melhor amigo. Magoada, humilhada e, por fim, financeiramente abalada, Jodi começa a contemplar o assassinato como uma opção razoável. Contado alternadamente nas perspectivas dele e dela, 'A Mulher Silenciosa' é um livro sobre um casamento à beira do fim, um casal na direção da catástrofe, concessões que não podem ser feitas e promessas que não serão cumpridas. Um thriller psicológico sofisticado, que seduz o leitor desde a primeira página.

A primeira coisa que eu digo a vocês é: tirem da mente a comparação de A mulher silenciosa com a Garota Exemplar. A única coisa que os dois livros tem em comum é o fato de que ambas as mulheres são casadas (mesmo que Jodi de A Mulher Silenciosa não seja casada no papel, ela está com o marido a 20 anos, considero isso um casamento) e seus maridos são infiéis ao casamento, fora isso não há mais nada que ligue ambas das historias. Nas primeiras paginas existem relatos de leitores da historia que citaram a Garota Exemplar umas duas ou três vezes (diga-se de passagem eu adoro a forma que foram colocados esses relatos), mas na minha opinião essas pessoas não entenderam bem o conceito de ambos dos livros, então já deixando isso bem claro, posso prosseguir com a resenha.


A Mulher Silenciosa foi escrito pela A.S.A. Harrison que infelizmente faleceu em 2013 aos 65 anos, na época em que ela estava trabalhando em um novo thriller. A Mulher Silenciosa foi lançada em 2014 pela editora intriseca e tem 256 paginas, considerado por mim um livro curto até. A leitura é fácil e você desliza pela historia sem nem perceber que já se foram tantas paginas. Harrison escreve de forma simples e mostra uma realidade que faz pensarmos que tudo que foi descrito no livro pode acontecer em nossas vidas ou na vida de qualquer pessoa. Eu sei que o gênero está como Thriller, mas não sei ao certo como classificar o gênero desse livro porque é uma mistura de coisas, estou meio confuso nisso ainda. A capa é maravilhosa, essa sombra de uma pessoa na capa dá um ar de suspense, um Q de curiosidade que foi o que me levou a comprar o livro (sim, eu julgo as vezes o livro pela capa). O fato da capa ser mais escura me fez pega-lo da caixa de livros que estavam sendo vendidos na Americanas (inclusive eu paguei R$9,99 nele) porque eu sabia que com essa capa eu não teria problemas de sujar facilmente ou qualquer outra coisa porque eu já cheguei a dizer aqui que eu sou um desastre com livros.


Os meus sentimentos foram os mais estranhos a respeito desse livro porque eu o amei e odiei e não sei como explicar isso para vocês, mas eu juro que vou tentar. O livro não conta como houve um assassinato e sim o motivo de alguém ter morrido, todas as explicações do porque a morte aconteceu e isso faz você imaginar milhares de coisas. A Mulher Silenciosa mostra dois pontos de vista, o de Jodi e o de Todd de forma alternada, em cada capitulo muda a visão da historia e isso te faz ver a diferença do pensamento de cada um deles a respeito das situações que acontecem em suas vidas e a forma que cada um lida com qualquer tipo de problema. Todd é o marido infiel e Jodi é a mulher perfeita que sabe da infidelidade do marido e que finge sempre não ser um problema, uma mulher que não briga, que não o tira do sério, que faz tudo para ser o tipo de mulher que ele acha que merece. O livro é interessantíssimo, extremamente bem trabalhado, e o fato de sabermos desde o princípio que haverá um assassinato, nos deixa perplexos com a forma com que Jodi vai vendo sua vida desmoronar e como vai elaborando o crime.



As reações dela a respeito das traições no inicio foram as que eu mais odiei. Odiei o fato dela levar isso como algo normal, como algo que pode acontecer sempre e como se a mulher fosse algo mais frágil que o homem. Nada do que eu contar aqui será um spoiler de verdade porque tudo que você descobrir aqui será meramente fragmentos do livro que você já sabem que vão acontecer. Quando Tedd resolve que vai largar seu casamento de 20 anos para viver uma nova aventura que o faz voar nas nuvens, Jodi se ve perdida sem saber o que fazer pois como não são casados, Todd quer cortar despesas e assim pegar o apartamento de volta, cortar o acesso de Jodi aos cartões de credito e tudo o que eles tem juntos. Jodi é psicóloga/psiquiatra e ao meu ver conseguiria se sustentar e não precisava entrar no luto em que entrou por causa da situação financeira de sua vida. Tudo o que ela achava que não iria perder foi tomado dela de uma hora pra outra: o amor de Todd, o dinheiro, a vida perfeita que ela idealizava e vivia, tudo.


Todd é o tipo certo de cara errado para se casar pois é o cara que não será fiel a nenhuma pessoa (nem mesmo a amante). Ele pensa que o homem é o sexo forte e dominante no mundo onde apenas eles devem mandar e desmandar no casamento e nas suas vidas, mesmo que isso não esteja acontecendo na sua vida ultimamente ao lado de sua parceira que dita a ele o que pode, não pode, deve e não deve fazer. Todd é o tipo de pessoa que mostra o machismo ainda em alta e o adultério como uma coisa comum na vida dos homens. Jodi é o tipo de pessoa que ama se vingar de forma fácil, com coisas que irritam Todd quando ele faz algo errado como quando ela retirou uma chave do chaveiro dele sem que ele tenha percebido e isso faz com que ele fique pra fora do seu prédio comercial. No início eu fiquei muito curioso com o livro por causa de saber o que aconteceria, mas queria saber como iria acontecer, esperando um relato delicadamente explicado de um assassinato perfeito, mas acabei me decepcionando nisso, e acredite, eu amei odiar esse livro porque ele é o oposto do que eu esperava e isso fez com que eu me surpreendesse a cada passo da história (que diga-se de passagem corria). 



Um dos aspectos mais diferentes de A Mulher Silenciosa é o fato de o livro não fazer suspense algum sobre nada em nenhum momento e mesmo assim conseguir prender nossa atenção para acompanhar a relação fracassada do casal, bem como a fraqueza de Jodi e o mau caratismo de Todd em relação a toda essa situação. Você sempre sabe o que está acontecendo pois tudo acontece rapidamente, sem nenhuma charada, sem nada para descobrir no final. Esse é aquele tipo de livro que você lê e a todo momento quer dar uma surra em um dos personagens (no caso os dois), sejam por suas atitudes, pensamentos, falsas explicações, reações, o que for, você só quer socar a cara deles. A Mulher Silenciosa é o tipo de livro para se ler em um dia chuvoso com um chocolate quente e um cobertor sentando no sofá com várias almofadas ou até mesmo na cama com vários travesseiros.


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