Textos | Um amor sem asas

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E la estava ele mais uma vez, em cima de um prédio, suas asas abertas tampando parte da minha visão da lua. Estava observando as pessoas que estavam andando pelas ruas da cidade. Ainda estava a procura de quem merecia ser atingido pela flecha, alguém que merecia amar. Alguém que já havia sofrido demais sem um amor na vida. Ele avistou dois garotos, amigos talvez, porém próximos demais,. Sorriam como duas crianças inocentes e ao mesmo tempo se tratavam como dois adultos que se amavam.

Ele sabia que era questão de tempo para que eles fossem um casal e que seria perda de tempo e de magica acelerar esse processo. Existia apenas mais uma flecha e ele precisava achar alguém que merecesse o amor, que fosse digno. A dias ele estava a procura dessa pessoa.

Naquele momento, bateu suas asas. Ele voou para um outro prédio. O meu prédio. Era noite e as pessoas que moravam nos apartamentos estavam dormindo ou em baladas da cidade já que no fim de semana ninguém fica parado. Quase todos os andares, as janelas estavam com as luzes apagadas. Parou no ar, batendo suas asas e se olhando no vidro espelhado de uma janela qualquer. 

Olhou para o se próprio reflexo, o observou por um tempo, até se dirigir para o topo do prédio. Sabia que o que estava pensando era loucura. Ele não podia ser egoísta a esse ponto, mas sabia que já havia feito seu trabalho.

Era sua ultima flecha, não podia desperdiçar isso, não podia deixar de lado a vontade de ser feliz. No ponto mais alto do prédio, ele pousou. Fechou suas asas e ficou ali, observando as luzes da cidade e as estrelas. Não sabia se poderia funcionar, não sabia se ele sobreviveria, mas mesmo assim, o coração dele suplicava por isso. Ele fechou os olhos, inspirou profundamente e com toda força enterrou a flecha em seu peito. 

Instantaneamente seu corpo caiu no chão sem nada para amortecer a queda.
Havia sangue em sua pele. Seu peito estava em uma mistura de vermelho e uma cor de pele brevemente bronzeada.

Antes de fazer isso, ele sabia do que estava abrindo mão, sabia que jamais teria suas azas novamente e que jamais poderia fazer as pessoas felizes, as pessoas se amarem ao redor do mundo. Mas sabia também que havia apenas uma flecha e que o trabalho dele já havia terminado.

Eu estava ali, escondido atrás da porta. Ele não sabia que eu o observava todas as noites. Meu peito batia forte pois ele não estava acordando e eu não sabia o que fazer. Mas quando vi que ele não acordava, empurrei a porta com força e a travei com uma pedra. Corri até ele, peguei-o no colo e levei para meu apartamento que era ali mesmo no ultimo andar. O coloquei em minha cama, o limpei com um pano úmido e esperei, esperei pra que isso desse certo e que aquela flecha sumisse assim que ele acordasse. Assim como aconteceu comigo quando fui egoísta o suficiente para tentar ter a minha felicidade.

Ele foi a primeira pessoa que eu vi quando abri meus olhos depois de encravar a flecha em meu peito. Não pessoalmente, mas uma imagem em minha cabeça, pois quando acordei, estava solitário e ninguém havia me ajudado.

Ele abriu os olhos. Aquele mar azul me atingiu e eu não conseguia conter a minha felicidade de ver ele acordar perto de mim. Um sorriso instantâneo abriu em seu rosto e eu percebi que aquilo que ele havia feito, tinha dado certo.

Sabe, desde então eu me sinto o cara mais feliz do mundo. Hoje em dia ele não voa mais, mas tem uma vida que o leva nas nuvens sem sair do chão. Loucura, eu sei, mas é assim que nos deixa o amor, loucos.


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