A voz sonolenta

16:52:00


E o menino acordou daquele pesadelo, aflito, com as mãos tateando a cama em busca do celular que escorregava e ia se perdendo entre o lençol e as cobertas. Com os olhos cheios de lagrimas ele acha o celular e disca um numero. Com uma mão tremula segurava aquele telefone como se fosse a vida de alguém nas mãos. 


Chamou uma, duas, três vezes e o desespero ia aumentando. Em voz baixa suplicava pra que a pessoa do outro lado da linha lhe atendesse. Eram 3 da manhã. Aquela voz sonolenta atendeu na madrugada, depois do 6° toque. 

“Alô” disse a voz sonolenta, enquanto o menino apenas sorria por saber que tudo aquilo foi um pesadelo, enquanto ele descobria que nada foi real e que ele não perdeu o amor da vida dele de uma vez por todas. Ali ficaram os dois em silêncio, a voz e o menino. 


Ambas das partes sabiam quem era em cada lado da linha, mas mesmo assim não se falaram. Ficaram em silêncio por 5, 10, 15 minutos, até a voz tomar força e dizer “mesmo que você não fale comigo, eu sei que está ai. Mesmo que a nossa historia tenha tido um fim, ainda acho que possa ter uma continuação. Mesmo que você pense que não, eu te amo” e desligou.


O menino estava lá, estático, sem reação, com o telefone celular enterrado em suas mãos. Realmente ele não sabia o que fazer e não sabia qual reação ter. Ligava novamente? Deixava pra lá? Sabia que era bem complicado esse sentimento. Ele ainda assim estava feliz, sabia que a pessoa que ele amava ainda o ama, sabia que o fim não foi literalmente o final de uma historia. Ali cresceu uma esperança. Em seu rosto apareceu lagrimas entre sorrisos. Ali ele dormiu tranquilamente, e nunca mais acordou…

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